Oportunidade e Objectivos
O Parque Tecnológico da Mutela
tem como vocação, apoiar e dinamizar o desenvolvimento
tecnológico e de gestão para o aperfeiçoamento do
processo produtivo e a modernização da indústria.
O Parque Tecnológico da Mutela ao fomentar a
concentração de actividades de tecnologias
avançadas, formada por empresas, institutos, organismos de
investigação e universidades, com capacidade para
transferir tecnologia e inovação para as empresas
industriais e de serviços, constitui um instrumento fundamental
na estratégia de desenvolvimento da região.
A oportunidade
de criar um centro pró activo de atracção do
conhecimento sobre a sustentabilidade no Parque Tecnológico da
Mutela (PTM) surge de um contexto inescapável a nível
Global, Europeu, Nacional e regional e de um contexto local de
disponibilidade e vocação do PTM:
• Global, porque o
século XXI testemunhará uma tomada de consciência
progressivamente mais enraizada nos hábitos de vida do homem
face à sustentabilidade, que implicará, de entre outros,
uma revolução no paradigma da utilização e
geração da energia. O desenvolvimento
aceleradíssimo da China, da Índia, da Rússia e do
Brasil, que representam quase metade da população do
planeta, em simultâneo com os condicionamentos internacionais
convencionados no âmbito das alterações
climáticas (Protocolo de Quioto), estão a resultar na
intensificação de tensões sociais e politicas, a
nível global, induzidas pela procura e oferta de recursos
naturais que já se traduziram num 11.09.01 em Nova Iorque, numa
guerra do Iraque e na subida vertiginosa do preço do
petróleo de 18 usd$ em 2001 para 118 usd $ em 2008 e de uma
saudável e fervilhante procura planetária de
soluções para o conceito alargado da sustentabilidade
vista como a forma de cumprir as necessidades de desenvolvimento do
presente sem comprometer as necessidades de desenvolvimento das
gerações futuras.
• Europeu e Nacional,
porque o Estado Português no contexto da União Europeia
enveredou pela implementação de programas urgentes,
nomeadamente tendo em conta os compromissos face às
alterações climáticas, PNAC – Plano Nacional
para as Alterações Climáticas, donde se articulam
outros planos como sejam, o Plano Nacional de Acção para
a Eficiência Energética, ou o programa E4 de
produção de electricidade a partir de fontes de energia
renováveis, configurados já na estratégia definida
em Março de 2005 pelos Chefes de Estado e de Governo da
União Europeia relativamente à necessidade de se
considerarem acções futuras tendo em vista a
estabilização da concentração de GEE (gases
com efeito de estufa) na atmosfera a um nível que evite uma
interferência antropogénica perigosa com o sistema
climático. Tome-se em atenção a titulo de exemplo
que em Portugal se verifica uma intensidade energética (energia
gasta por unidade de riqueza produzida), que é muito maior e
crescentemente maior que a média da U.E. (relatório
“Portugal Eficiência 2015-PlanoNacional de
Acção para a Eficiência Energética”).
• Regional,
porque na Área Metropolitana de Lisboa tem vindo a assistir-se
nas ultimas décadas a um já preocupante desordenamento do
Território traduzido em dispersão não programada
da urbanização (periurbanização), com um
êxodo da Capital, em simultâneo com um distanciamento aos
locais de trabalho, donde vem resultando uma nefasta
disfuncionalidade da mobilidade urbana e vasto desconcerto entre, as
práticas passadas de ordenamento da Administração
aliadas a hábitos de vida enraizados dos cidadãos, e os
objectivos convencionados internacionalmente, que hoje se tornaram
inescapáveis. Refira-se como exemplo que o concelho de Lisboa
perdeu desordenadamente para as periferias nos últimos 20 anos
cerca de 400 000 habitantes, o que equivale sensivelmente às
populações do Porto e de Coimbra somadas, tendo por outro
lado a Área Metropolitana de Lisboa crescido em área para
o dobro da área metropolitana correspondente de Barcelona e
dessas transformações resulta a crescente inviabilidade
da mobilidade em transporte colectivo pesado. Acresce que as
práticas de engenharia e arquitectura no projecto de
edifícios se desconcertaram com o paradigma futuro da
sustentabilidade e vêm piorando a performance dos
edifícios face à eficiência energética e
às imposições agora estatuídas em coimas
para as construções novas em desconformidade regulamentar.
• Local, porque o
Parque Tecnológico da Mutela reúne à partida
condições de disponibilidade, vocação e
centralidade da sua localização e de
infra-estruturas a que se aliam uma vocação de apoio na
inter relação com os circuitos de financiamento
publico/privado e com a Administração central, que no seu
conjunto podem propiciar o ambiente adequado às trocas e
transferências de conhecimento e tecnologia focadas na
sustentabilidade e até à incubação de
empresas cujos objectos se centrem em actividades com vista ao
cumprimento dos desígnios descritos em cima. Por outro lado, a
proximidade física e relacional com o projecto urbanístico da Margueira
permite sugerir a oportunidade de se incorporarem num projecto piloto
exemplar como este as boas práticas que vierem a ser adquiridas
na atracão de conhecimento e tecnologia que se derramem
organizadamente do processo de trocas e transferências de
conhecimento que se venha a operacionalizar no PTM/A.
Neste contexto e dado que os
programas nacionais em vias de implementação, se traduzem
em acções e medidas concretas que resultam da
aplicação de tecnologias e conhecimentos
pré-existentes nas áreas da mobilidade, da
arquitectura/engenharia urbana (Regulamentos RCCTE e RSECE), da
industria, da produção de energia, e que se assiste
actualmente ao fervilhar de um caldeirão de ideias novas e
inovação relativos à sustentabilidade que percorre
e perpassa globalmente toda a net e que tem interesse capturar,
propõe-se assim,
Objectivos
1. Fazer coalescer no PTM/A
com vista a contribuir como pólo agregador e catalisador das
trocas e transferências de tecnologia e conhecimento os
interventores dessa inovação e os investigadores que
actualmente e no futuro próximo venham a produzir conhecimento
focado nas matérias da Sustentabilidade que seja
aplicável regional e localmente.
2. Sedimentar
selectivamente e organizadamente desse processo sobreaquecido de
criação, inovação e ideias um acervo
documental de tecnologia e boas práticas, sempre no
enquadramento temático da sustentabilidade aplicável
local e regionalmente.
3.
Indução oportuna de soluções integradas de
sustentabilidade, através de empresas ou profissionais, que
resulte da tecnologia e conhecimento assim adquiridos, em parcelas do projecto urbano da Margueira,
com vista à divulgação nacional de um projecto
exemplar para demonstração, que constitua escola,
à semelhança e no contexto das “European Green
Cities Network” (EGCN)
Programa
1ª Fase (até final de Julho de 2008)
• Pesquisa do que
já exista dessas matérias consubstanciado em
documentação: regulamentos, tecnologias, estudos,
produtos, enfim... conhecimento. (contactos suplementares e procura de
concertação com a Universidade, as empresas, as
ONG’s do ambiente, as autarquias, as agencias do ambiente)
• Aferição do programa
2ª Fase (até final de 2008)
• Procura
selectiva e estruturada em áreas prioritárias dos actores
da inovação e das respectivas matérias de estudo.
• Procura dos novos negócios,
serviços, produtos no quadro da eficiência
energética e da sustentabilidade.
• Produção de arquivo e documentação
• Aferição de programa e
concertação com Universidades, ONG’s do ambiente e
Agencias da energia e ambiente.
3ª Fase (ano de 2009 e seguintes)
• Fazer coalescer no PTM/A
os actores da inovação em matéria de
sustentabilidade, com o apoio de patrocínios e em
articulação com Universidades e empresas, de forma
organizada por temas e em reuniões, forums temáticos,
seminários e conferencias, sedimentando em
documentação toda as comunicações.
• Incentivar o estabelecimento de negócios afins da sustentabilidade no CINTEC – Associação Centro de Incubação de Empresas do Parque Tecnológico, com vista ao possível envolvimento em trabalhos e serviços da implementação do projecto urbano da Margueira.